O que perguntar ao médico nas consultas de rotina dos seus pais
Uma lista prática de perguntas para levar à próxima consulta — e como guardar essa informação de forma útil para toda a família.
A consulta médica dura em média 15 minutos. É pouco tempo para cobrir tudo o que importa — especialmente quando há vários problemas, vários medicamentos e uma pessoa que pode sentir-se intimidada ou esquecer o que queria dizer.
Ir preparado faz uma diferença enorme. Este guia foi pensado para filhos e netos que acompanham os pais às consultas — ou que querem ajudá-los a ir mais preparados quando vão sozinhos.
Antes da consulta: o que preparar
A lista de medicamentos atualizada
Antes de qualquer consulta, vale a pena fazer uma lista completa de tudo o que está a ser tomado — incluindo suplementos, vitaminas e medicamentos de venda livre. Muitas interações medicamentosas acontecem precisamente com coisas que "não parecem medicamentos".
A lista deve incluir: nome do medicamento, dose, frequência, e para que foi prescrito. Uma foto das caixas também funciona.
Os sintomas por escrito
Parece básico, mas faz diferença enorme. Escrever os sintomas antes da consulta — quando começaram, com que frequência acontecem, o que os piora ou melhora — ajuda a não esquecer nada no momento em que o médico pergunta "então, como tem estado?"
As perguntas essenciais para levar à consulta
Sobre o estado geral de saúde
- O que é que os resultados dos últimos exames indicam?
- Há alguma preocupação que devo monitorizar até à próxima consulta?
- Quando devo fazer os próximos exames de rotina?
- Há alguma vacina em atraso?
Sobre a medicação
- Todos estes medicamentos continuam a fazer sentido?
- Há algum que possa ser reduzido ou eliminado?
- Estes medicamentos interagem entre si de alguma forma?
- Devo evitar algum alimento ou bebida com esta medicação?
- O que devo fazer se me esquecer de uma dose?
Sobre sintomas novos ou que persistem
- Este sintoma é esperado, ou merece investigação?
- A que sinais devo estar atento em casa?
- Quando é que este sintoma se torna urgente?
Sobre quedas e mobilidade
As quedas são uma das principais causas de hospitalização em pessoas com mais de 70 anos — e muitas são preveníveis. Não espere que o médico pergunte.
- Houve alguma queda ou quase-queda desde a última consulta?
- Há algum medicamento que aumente o risco de queda?
- Devemos considerar fisioterapia ou exercício adaptado?
Sobre saúde mental e bem-estar
A saúde mental muitas vezes não é mencionada na consulta — seja por vergonha, por não parecer "urgente", ou simplesmente porque o tempo não chega. Vale trazer à conversa diretamente.
- O humor e o sono estão bem?
- Há sinais de ansiedade ou tristeza persistente?
- A memória e a concentração parecem adequadas para a idade?
Como guardar e partilhar a informação da consulta
Criar um dossiê de saúde simples
Não precisa de ser nada complexo: uma pasta (física ou digital) com os últimos resultados de análises, as cartas de alta, a lista de medicamentos e os contactos dos médicos. Quando acontece uma urgência, ter tudo acessível num só lugar poupa tempo e evita erros.
Partilhar com a família
Se há vários familiares envolvidos no acompanhamento, vale a pena ter um lugar comum onde a informação é guardada e atualizada. Uma pasta partilhada na cloud, um grupo de WhatsApp com as informações importantes, ou uma nota partilhada no telemóvel fazem o trabalho.
Registar as próximas consultas
Parece óbvio, mas muitas consultas são desmarcadas ou esquecidas. Ao sair do consultório, confirme imediatamente a data da próxima consulta e coloque no calendário — tanto no da pessoa como no do familiar que acompanha.
Quando ir à consulta com a pessoa
Sempre que possível e desejado, ir à consulta em conjunto tem vantagens claras: é mais fácil fazer perguntas, garantir que a informação foi compreendida e tomar nota do que o médico disse. Mas é importante ir como apoio — não como substituto da voz da pessoa.
Deixe que seja ela a responder às perguntas do médico. Intervenha apenas para complementar ou esclarecer. A autonomia na relação com o médico é importante para a dignidade e para a saúde.
